terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Cesar Benjamim

O único comentário que farei sobre o já famoso artigo do Cesár Benjamim sobre o Lula não será sobre o artigo, mas sobre ele. E, já me desculpando, não encontrei outro jeito de caracterizá-lo...

Em todo grupo há o sujeito que faz a diversão da turma nas piadas. O Césinha é do tipo que cai em todas as pegadinhas do tipo:

1. Que time é teu?

2. Você está num navio com seu cachorrinho chamado Nabunda. O barco afunda. Você leva Nabunda ou deixa Nabunda?

3. Qual é o aumentativo de dacueba?

4. Meu pai está pensando em fazer um churrasco. Com 30 quilos de carne dá pra 20 comer?

5. Você chegou há pouco de fora?

Não dá prá levar a sério.

Golpe em Honduras II: vejam o que os norte-amenricanos recoheceram como eleições democráticas

Eleitor hondurenho indo por vontade própria em direção a urna


Professor do Departamento de História da Universidade Estadual do Centro-oeste do Paraná e diretor do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior - ANDES-SN, Hélvio Henrique Mariano, que está em Tegucigalpa participando de uma missão de observadores internacionais convocada para acompanhar o pleito:

"Existem mais de oito mil mesas eleitorais espalhadas por Honduras, e os votos ainda são em cédulas impressas em papel. Após o fim da votação, cada seção eleitoral apura seus votos e o presidente da mesa eleitoral informa o resultado final por telefone celular a uma central de processamento de dados que fica na capital Tegucigalpa", esclarece, acrescentando que é o próprio exército golpista que guarda urnas e cédulas.

Para o relato completo vá ao site da ANDES.



E a história continua, o Governo Norte-americano continua produzindo golpes

Eleições não são sinônimo de democracia. Nós brasileiros sabemos bem: durante mais de duas décadas, de 1964 a 1985, eleições foram realizadas no Brasil sob ditadura militar. Democracia não existe sem eleições, mas eleições existem sem democracia. Isto porque, para serem democráticos, processos eleitorais precisam, no mínimo, além de eleições, incluir escolhas reais para os eleitores (liberdade e, ao menos relativa, igualdade de organização e articulação para todas as forças políticas) e liberdade de expressão e manifestação. Alguém tem coragem de dizer que isto existiu em Honduras? Do golpe a eleição meios de comunicação foram fechados quando manifestavam contrariedade com o golpe e sindicatos, organizações e manifestações populares foram reprimidas.

Para o governo norte-americano, no entanto, isto não tem a menor importância, quanto mais pasteurizado o processo eleitoral, melhor. É isto que está contido nas manifestações recentes do governo dos EUA:

Em um comunicado, o Departamento de Estado elogiou os hondurenhos por "exercer pacificamente seu direito democrático de escolher seus lideres" (Washigton Post, 01.12.2009)

A questão não é saber quem vai ser o próximo presidente", Arturo Valenzuela, o novo secretário de Estado adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental, disse a jornalistas em Washington. "O povo hondurenho decidiu isso. A questão é se o legítimo presidente de Honduras, que foi derrubado em um golpe de Estado, será devolvido ao posto. " (New York Times, 30.11.2009)


A questão, na verdade, é que não ocorreram eleições democráticas em Honduras.

A cortina de fumaça é produzida quando se igualam democracia e eleições. As aparências enganam...


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Quem pode criticar quem ?



Publicado originalmente pelo Festival de Besteiras na Imprensa (FBI) e no Viomundo

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Esta deveria ser a resposta do PT a FHC

Do Valor Econômico

Autoritarismo popular pelo voto direto

Maria Inês Nassif

05/11/2009

Ao final de sete anos de governo e à véspera de uma eleição em que a sua simples presença de um lado da disputa pode definir a sua sucessão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está dando um nó na cabeça da oposição. Não só pela sua popularidade, mas pela forma como conseguiu usar essa popularidade para mudar completamente uma agenda política e econômica à qual, no primeiro mandato, parecia amarrado.

À direita e à esquerda, essa mudança de agenda está sendo colocada como autocrática. Todavia, como definir historicamente uma mudança de agenda política e econômica num regime democrático sem a suposição de que existe apoio popular a ela? O apoio é a um presidente ou a um outro projeto de poder? Como desvincular o presidente Lula do seu partido político, o PT, quando a história política de ambos é a mesma (e isso é um fato mesmo se constatando que, depois de quase dois mandatos como presidente num regime presidencialista, Lula tornou-se maior que o PT)? Se projetos políticos não se sucederem no poder, em alternância, o que se pode querer de uma democracia? É personalismo ou projeto político diferenciado uma inversão completa de agenda em relação aos governos anteriores?

A definição – ou acusação – imputada a Lula pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em artigo recente publicada em dois jornais paulistas (”Folha de S. Paulo” e “Estado de S. Paulo”), e reiterada em entrevista ao colunista Vinicius Torres Freire, ontem, na “Folha”, de exercer uma “Presidência imperial”, ou ser o artífice de um estado de “apatia com autoritarismo popular”, não parece plausível. Não dá para “acusar” alguém de ser popular. FHC também o foi no seu primeiro mandato e venceu as eleições para a reeleição no primeiro turno, em 1998. Não dá para “acusar” alguém por estar no poder, se essa pessoa foi eleita. FHC também foi, duas vezes. E, como Lula, também tentou, embora não com tanto empenho, fazer o seu sucessor.

Como Lula, Fernando Henrique Cardoso foi vitorioso como principal articulador de uma nova agenda política e econômica – no seu caso, o discurso vitorioso foi o de rompimento com a agenda nacional-populista de Vargas que ainda estava entranhada na sociedade. Como Lula, FHC teve que fazer valer o seu projeto num regime presidencialista com forte dispersão partidária. Ninguém o acusou de autoritário por isso. E não existe nenhuma objetividade numa acusação de autoritarismo se a pessoa que está sendo acusada se submeteu às urnas e mantém-se estritamente no jogo político institucional (ainda anteontem, Michael Bloomberg se elegeu, pela terceira vez, prefeito de Nova York).

A grande arte do Brasil democrático foi a de conseguir criar, mesmo após longo período de ditadura militar, uma cultura democrática. Foi arte, não foi sorte. Um único presidente, Fernando Collor, tinha um perfil que tendia ao autoritarismo mas, salvo a edição do Plano Collor numa conjuntura de hiperinflação no primeiro dia de seu governo – que enxugou drasticamente a liquidez com o confisco de poupança -, o autoritarismo não conseguiu passar de um discurso forte com cores nazistas. Collor mais ladrou do que mordeu: aceitou sem reações um processo de impeachment que acabou se tornando um símbolo da democracia brasileira. O presidente Itamar Franco, eleito como seu vice, governou por dois anos, tinha tradições democráticas e não as negou no poder.

Antes deles, o primeiro presidente civil depois do golpe de 1964 e último a se eleger pela via indireta, José Sarney, teve muitos defeitos, mas seu governo foi fundamental para a consolidação da democracia. Foi nesse período que funcionou a Assembleia Nacional Constituinte. Não consta que Sarney, mesmo com o pecado original de ter antes vivido à sombra do regime autoritário, tenha cometido atentados contra a então tenra democracia. Como vice do presidente eleito pelo Colégio Eleitoral, Tancredo Neves, Sarney ascendeu ao poder pela morte de um dos grandes articuladores da transição para a democracia. Estava comprometido com as forças democráticas, já majoritárias na sociedade, e não conseguiria sobreviver no poder sem o apoio delas.

Os governos do presidente Fernando Henrique Cardoso tiveram grande conteúdo democrático. FHC vinha da oposição institucional ao regime militar, o MDB, ingressou no PMDB e ascendeu pelo PSDB, partido surgido de um racha do PMDB. FHC, assim como Lula, esteve presente nos grandes movimentos pela democracia no pré-85. No governo, foi um hábil, e democrata, articulador de forças econômicas que emergiam num Brasil que se abria para o capitalismo financeiro internacional. Não houve autoritarismo nessa mudança de agenda: ele articulou forças que se moviam no cenário democrático a partir de mandato ao qual foi investido pelo voto popular. FHC foi bastante popular no final do primeiro governo, quando o Plano Real produziu um ganho de distribuição de renda incomum num país de renda concentrada como o Brasil. Perdeu esse legado no segundo mandato, quando a renda voltou a se concentrar.

O presidente Lula não foi nem mais, nem menos democrático que os outros civis. Foi igualmente democrata. Com mandato popular, articulou forças que se moviam no território da democracia para mudar a agenda política e econômica. A interpretação de que é a figura central de um “autoritarismo popular” não leva em conta a origem do mandato de Lula – o voto, como os dois mandatos de FHC -, mas o fato de que o atual presidente articula outras esferas da sociedade que foram incorporadas ao projeto de poder tucano apenas durante o Plano Real, e dele foram apartadas por sucessivas crises e um modelo de acumulação que se tornou excludente, passado o efeito desconcentrador do êxito anti-inflacionário.

A designação de “autoritarismo” não leva em conta o voto; a “acusação” de popular não faz justiça a quem vota.

Maria Inês Nassif é repórter especial de Política. Escreve às quintas-feiras

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Mais sobre a Viração...

Do Blog vivapalestinaniteroi.blogspot.com:

NORUEGA ROMPE COM EMPRESA QUE PARTICIPA DA CONSTRUÇÃO DO MURO DO APARTHEID



No início deste mês, o governo norueguês anunciou a retirada de todos os seus investimentos da Elbit Systems, que fabrica o sistema de vigilância instalado em várias partes do muro de separação na Cisjordânia. O ministro das Finanças da Noruega, Kristin Halvorsen, disse que a decisão foi baseada na recomendação do Conselho de Ética de seu ministério. "Nós não pretendemos financiar empresas que contribuem diretamente para a violações do direito internacional . Halvorsen, segundo o jornal israelense Haaretz,explicou que a barreira de separação afeta a liberdade de circulação dos residentes da Margem Ocidental.

Porto Alegre vai deixar seu prefeito Fogaça financiar?

E o Vento Negro fez a viração em Porto Alegre: do humanitarismo à indústria da guerra



A Porto Alegre do Forum Social Mundial está cada vez mais distante. Liderada por José Fogaça, a cidade caminha a passos largos para alinhar-se com o que de mais desumano há no mundo: a indústria da guerra. E, dentro desta indústria, com o que de pior há: empresas que constróem máquinas para assassinato seletivo. Estou falando desta matéria, escondida na página 26 de ZéAgah:

Grupo de Israel investe no RS

Gigante do setor militar aplicará US$ 50 milhões em projeto em sua subsidiária em Porto Alegre

A Elbit Systems anunciou ontem em Haifa, Israel, a ampliação dos seus negócios no Rio Grande do Sul. A gigante da tecnologia militar vai entregar à subsidiária Aeroeletrônica, com sede em Porto Alegre, um contrato de US$ 50 milhões para a modernização de 70 aviões militares.

O vice-presidente executivo da Elbit, Ran Hellerstein, manifestou ainda a intenção de construir na Capital uma nova sede e ampliar o número de funcionários dos atuais 150 para até 500 nos próximos anos. O projeto do novo edifício já tramita na prefeitura. Além disso, o braço gaúcho da Elbit vai absorver a manutenção dos helicópteros argentinos Pampa.

As novidades foram reveladas durante a visita da missão gaúcha que está em Israel. A comitiva foi recebida com bandeiras do Brasil e até chimarrão. Depois da apresentação dos produtos e dos projetos da Elbit, os visitantes conheceram de perto a linha de aviões de vigilância e de combate que voam sem pilotos.

Hellerstein disse que a decisão de investir mais no Brasil foi baseada em fatores como custos atrativos, qualidade da linha de produção e eficiência da mão de obra do Estado.

Nos próximos dias, o Executivo municipal encaminhará à Câmara de Vereadores a proposta de redução da alíquota do ISSQN da Elbit de 5% para 2%. Pela proposta, a empresa se comprometeria a arrecadar o mesmo valor de hoje após a implantação dos novos projetos. A aprovação do incentivo é fundamental para garantir a totalidade do investimento. A direção da Elbit deve estar em Porto Alegre no dia 17 de novembro para um encontro com o prefeito José Fogaça.


O que a mátéria não diz é o seguinte:

A Elbit Systems Group, empresa privada, está implicada na construção de um dos trechos do famigerado Muro do Apartheid, na Cisjordânia. Fornece ao Exército sionista de Israel veículos não-tripulados, manipulados por controle remoto, conhecidos como Drones. De acordo com organizações de solidariedade ao povo palestino, cerca de 100 palestinos morreram em decorrência destes veículos na recente Operação Chumbo Derretido e é muito utilizado nos assassinatos seletivos de lideranças da Resistência Palestina. Além da palestina, esses Drones estão sendo usados no Iraque e no Afeganistão.

Enquanto o governo norueguês, por exemplo, tomou a decisão de retirar o seu investimento da empresa israelita Elbit Systems Ltd, pelo seu papel central na construção do muro de apartheid na Palestina, ao propor reduzir o ISSQN de 5% para 2%, o Prefeito José Fogaça ajuda a financiar esta empresa e associa o cidadão porto-alegrense - e a imagem de Porto Alegre - a essa empresa e as mortes produzidas por suas armas. É esse o futuro que Porto Alegre quer ajudar a construir?

P.S.: Os vereadores de Porto Alegre, especialmente os de oposição, tem a chance - diria, a obrigação - de tomar para sí este debate. Não permitam que o atual prefeito passe isso como a simples atração de empresas e investimentos para Porto Alegre, porque não é. Eis um tema a altura do que aqui já debatemos em outros momentos nesta cidade.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Alguém ai acha que Serra, FHC ou outros de pelagem tucana têm essa alfabetização político-econômica?

Transcrevo esta passagem da entrevista de Lula à Folha de São Paulo, especialmente porque no Rio Grande do Sul a escolaridade de nosso presidente sempre foi muito discutida (até objeto de adesivos em carros), prá ser educado...

"O câmbio sempre foi uma preocupação nossa. Se um dia você for presidente da República e sentar naquela cadeira, vai entrar na sua sala uma turma reclamando que o dólar está baixo, porque ele é exportador e está perdendo. Quando sai, entra a turma dos compradores, importadores, que acham que o dólar está maravilhoso, que é preciso manter assim. Aí entra o ministro da Fazenda, o presidente do Banco Central e dizem que é maravilhoso o dólar baixo porque controla a inflação.
Agora, antes que aconteça, uma superentrada de dólares no Brasil, reduzindo muito o valor do dólar em relação ao real, criando problema na balança comercial, e com algumas empresas exportadores tendo problema, nós demos um sinal com o IOF [Imposto sobre Operações Financeiros, que passou a ser cobrado no ingresso de capitais]. Demos um sinal para ver se a gente equilibra."

...

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Da série Bye Bye Serra 2010

A partir de hoje filio-me ao conjunto da obra inciada por Paulo Henrique Amorim no seu blog Conversa Afiada. Trata-se da reunião de notícias que monstram a tendência ao sepultamento da candidatura de José Serra. A mais recente saiu hoje, agora, as 23 horas, e o jornal da globo anunciou rápida e sucintamente, como um ataque cardíaco fulminante. Vejam a manchete:


PT e PMDB fecham acordo para candidatura de Dilma em 2010

PMDB indicará vice, mas apenas no ano que vem.
Partidos tentarão repetir dobradinha nos estados.

O que foi que restou para o Serra? O PSDB de São Paulo ( vejamos o que fará o Alckmin depois de ser proclamado candidato ao governo de SP...)? O DEM declinante? O baronato midiático, certamente. Mas isto é suficiente?

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O Serra poooode?

Matéria da Folha de SP de hoje, 04/08/09:

"Apesar do discurso rechaçando a pré-campanha para 2010, o presidenciável tucano José Serra definiu ontem em reunião com líderes de PSDB e DEM, em São Paulo, mais dois destinos para visitar no Nordeste, informa o "Painel" da Folha, editado interinamente por Vera Magalhães (a íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL).

Segundo a coluna, Serra vai à Bahia no dia 10, e depois ao Rio Grande do Norte, em setembro."

A propósito, discutindo palanque em dia útil? Dia 10/08/09, segunda feira? Com $ do erário paulista?

Vão chamar o Virgílio, o Simon, o Jarbas Vasconcelos?