terça-feira, 5 de agosto de 2008
Problema real II
A propósito do mundo que não aparece nos debates e propostas dos candidatos a prefeito: ler o texto do RS Urgente "Porto Alegre sob o domínio da pedra". E há "gente fina classe média" de Porto Alegre achando que o problema é o Rio de Janeiro...
O problema real.
Enquanto os candidatos debatem o mesmo de sempre, o mercado segue fazendo das suas. Uma área que deveria ser pública será privatizada: o terreno do Estaleiro Só. Deveria ser pública como é a área contigua ao Parque Marinha do Brasil e a Usina do Gasômetro. Não será. Será ocupada por imensos prédios residenciais.
O problema da proposta ocupação residencial é que ela será destinada a pequena fração da população que possui gordas contas bancárias e costuma fechar-se em condomínios inacessíveis, com medo da violência. Alegar que haverá possibilidade de acesso para toda a população é quase uma piada de mau gosto. O que hoje se apresenta é, sim, um projeto que privatiza definitivamente uma área do Guaíba.
Alegam os "doutos" empresários que nenhum outro tipo de empreendimento é economicamente viável. E daí?
O Parque Marinha é economicamente viável? A Usina do Gasômetro é economicamente viável? A Redenção é economicamente viável? O Museu Iberê seria economicamente viável, não fossem os milhões de incentivo cultural dados pelo Estado brasileiro? O MARGS é economicamente viável?
O uso do espaço público não deve organizar-se exclusivamente - e nem principalmente - pelo principio do economicamente viável, mas do economicamente sustentável, do publicamente correto, do ambientalmente adequado...
Mas nenhum candidato contraria. Preferem discutir outras coisas. Deveriam estar dizendo se concordam ou não, oferecendo alternativas.
Vocês já imaginaram se na frente do Parque Marinha houvessem imensos aranha-céus a tapar o horizonte totalmente aberto ao por-do-sol? É mais ou menos isto que vai acontecer naquela ponta da Beira-Rio. E depois, o que virá, qual será o próximo projeto economicamente viável?
Não quero nem pensar...
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
A seguir deste jeito, vão escolher mais do mesmo...

Recomendo a leitura da postagem "Porto Alegre é Demais" do Marco W. no blog RSURGENTE. Um trechinho: "(...) Mas vendo Porto Alegre aqui de Buenos Aires, comparando o que há nas bancas de jornais, é assim que a cidade me parece. Porto Alegre é demais, diz a letra de conhecida música. Hoje, está conservadora demais, reacionária demais e medíocre demais."
Lendo-a lembrei-me do tempo que perdi assistindo ao debate na TV Bandeirantes, dia 31/07/08, entre os candidatos a prefeito (a) de Porto Alegre. Não é somente nas bancas de jornais que Porto Alegre mostra-se sem criatividade, sem disposição para inovar, mudar de fato, oferecer alternativas progressistas. Nenhum dos candidatos saiu da mesmice, do repeteco burocrático/administrativista: critica ao atual x "mais saúde, mais educação, mais segurança, mais...". Não houve diferenças marcantes entre os candidatos (as). Diferenças de desempenho retórico, de imagem, de segurança diante das cameras, talvez. Mas de conteúdo - ou de linha - não.
Cada um dos candidatos procurou mostrar-se mais capaz de resolver problemas temáticos da cidade: saúde (mais postos, mais agentes de saúde, etc.), segurança (mais guardas, etc.), etc. Todos adotaram a linha "melhorar", "aumentar", "fazer mais". Nenhum (a) adotou a linha inverter, revolucionar.
Nenhum apresentou uma alternativa paradigmaticamente (para não usar ideologicamente, palavra que parece estar sendo criminalizada em Porto Alegre) diferente, a altura da cidade que, no passado recente, erigiu uma das mais modernas, poderosas e profundas experiências de Democracia do século XX. Experiência que foi , não por acaso, capaz de referenciar Porto Alegre como a sede do movimento de alternativa ao modelo de mundo protagonizado por Mr. Bush e seus parceiros do Forum de Davos: o Forum Social Mundial.
Enquanto Mr. Bush e seus associados de Davos ofereciam ao mundo um modelo de redenção baseado na hiper-valorização do capital, na extensão sem limites da sua dinâmica a todas as dimensões da vida na terra, no mercado e no consumo como mecanismos organizadores de todos os valores humanos, em Porto Alegre surgia uma outra prática, propondo a recondução da política ao status de categoria organizadora de valores e ações humanas, através da democracia radical, participativa. Esse era o rumo que Porto Alegre seguia, suas políticas públicas eram organizadas a partir deste sentido, oferencendo resistência a vida subordinada a reprodução do capital, ao mercado. Até 2005 iniciar.
Neste sentido, entre os candidatos (as) não vi nada diferente, no sentido de radicalmente alternativo, do que ai está. Ao menos, nada organizado sob um claro conceito capaz de expressar uma alternativa. Porto Alegre podería até escolher continuar conservadora, medíocre, reacionária, mas, ao menos, teria opção. Não é o que estamos vendo...
terça-feira, 15 de julho de 2008
Descoberta de férias

Nestas férias que tive encontrei-me com os livros de uma maravilhosa poetisa portuguesa: Sofia de Mello Breyner Andresen. Recomeço com ela me ajudando a fixar referencias.
NESTES ÚLTIMOS TEMPOS
Nestes últimos tempos é certo que a esquerda fez erros
Caiu em desmandos confusões praticou injustiças
Mas que diremos da longa teneborsa e perita
Degradação das coisas que a direita pratica?
Que diremos do lixo do seu luxo - de seu
Viscozo gozo da nata da vida - que diremos
De sua feroz ganância e fria possessão?
Que diremos de sua sábia e tácita injustiça
Que diremos de seus conluios e negócios
E do utilitário uso de seus ócios?
Que diremos de suas máscaras álibis e pretextos
De suas fintas labirintos e contextos?
Nestes últimos tempos é certo a esquerda muita vez
Desfigurou as linhas do seu rosto
Mas que diremos da meticulosa eficaz expedita
Degradação da vida que a direita pratica?
Julho de 1976
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Junho e Julho em drágeas
Este blogueiro esteve em férias, pois ninguém é de ferro...
Volto em um período rico em acontecimentos. Nas montanhas mais altas, os EUA, após a recriação da IV Frota, dão sequência a seu movimento e tentam ressucitar seu enteado sul-americano, Uribe, financiando o resgate de Ingrid Betancourt. A América do Sul entra novamente, explicitamente, no palco estratégico americano: nossos presidentes mais "esquerdinhas" que se segurem nesta curva... Nos próximos anos a chapa "en sudamerica" deve esquentar. No planalto, a Polícia Federal enquadra Daniel Dantas, corrompedor-geral da República, que vai preso-para depois ser solto-para depois ser preso e, finalmente, novamente solto pelo Supremo Presidente Gilmar Mendes do STF. Na planície, no entanto, as coisas estão mornas e dentro do previsto: Fogaça, Maria e Manuela estão embolados nas pesquisas (de preferência do eleitor ou dos "fazedores" de pesquisa).
Vamos a escrita, na medida do possível, sobre cada um dos temas. Eles tem nexos, embora não tão visíveis.
terça-feira, 17 de junho de 2008
Contradição? Hipocrisia? Cinismo eleitoral?
Manuela faz de conta que não é com ela. Enquanto o RS assiste estarrecido as revelações da CPI do DETRAN, o banditismo que assola o Rio Grande do Sul, Manuela alia-se com o PPS, partido que passou a frequentar o epicentro das denúncias, especialmente a partir da gravação Busatto-Feijó. Alega a seu favor estar-se aliando a uma suposta "ala boa" do PPS, hipotéticamente não conivente com as más práticas do governo Yeda vindas a tona na CPI do DETRAN. A "ala má" seria a de Busatto, ex-chefe da Casa Civil do governo Yeda, e teria tentado detonar sua aliança com os "bonzinhos" do PPS: Berfran Rosado, Paulo Odone e Proença.
Olhe para o seu lado direito, nesta foto em que alegremente você comemora a indicação de Berfran Rosado para seu vice, Deputada Manuela. Ali verá o Deputado Paulo Odone, que frequentou as gravações de conversas entre Flávio Vaz Netto e Antonio Dorneu Maciel (dois dos principais chefes da quadrilha que pilhou o DETRAN) feitas pela Policia Federal. Estas gravações dão conta da montagem da fase II do esquemão - como alcunharam os próprios envolvidos.
Abaixo, leia a transcrição da gravação.
MACIEL: Oi, já saiu?VAZ NETTO: Tô saindo. To dentro do palácio ainda.
MACIEL: E foi bom?VAZ NETTO: Muito bom.
MACIEL: Bah, o Odone me deu uma mijada porque eu deixei só ele e tu ir....
VAZ NETTO: Devia ter vindo...
MACIEL: Pois é, mas eu não podia...eu tava no médico....minha pressão subiu na hora.
VAZ NETTO: É um esquemão qualificado, viu?
MACIEL: É?
VAZ NETTO: É. Qualificado.
MACIEL: Muita tendência vermelha?
VAZ NETTO: Não, dos vermelho tava o Perondi, pela CBF, o Pífero, o resto tava misturado...(...)
VAZ NETTO: Eu tive um gesto interessante da governadora. Ela me enxergou de longe, me abanou, deu três ou quatro passos em minha direção, me cumprimentou. Perguntou se eu estava bem. Eu disse: precisamos de um espaço. Quando quiser, não tem problema (ela respondeu). Aí não sei se ela mandou o Crusius falar comigo. Eu disse: olha, eu preciso conversar depois para aplainar algumas coisas. Me telefona, me avisa que a gente marca (respondeu Crusius). Ela foi muito carinhosa comigo.
MACIEL: Que bom. Me deve essa...
VAZ NETTO: Te devo essa. Bota na conta...
Ala boa???????
Não há como fazer de conta, o argumento de que há um PPS não comprometido com o que está acontecendo no governo Yeda não se sustenta diante da primeira foto...
domingo, 8 de junho de 2008
A chance de maifestar sua vontade

Movimentos populares (estudantil, sindical, comunitário) convidam para um ato de protesto, segunda-feira (9/6), a partir das 14 horas, em frente ao Palácio Piratini.
Ao participar dele você estará manifestando-se contra os escândalos de corrupção envolvendo o governo Yeda Crusius (PSDB) e os partidos que o sustentam (PMDB, PP, PPS). Escândalos mais do que comprovados, por gravações de conversas entre os próprios agentes políticos do atual governo Estadual.
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Uma possível onda de impactos
pepino na sala de Yeda, Fogaça, Manuela, Onix...A crise do governo Yeda, com os fatos de hoje, isto é, com a gravação da conversa Feijó-Busatto, estenderá seus efeitos para fora do Palácio Piratini e atingirá a campanha eleitoral para a prefeitura de Porto Alegre.
O PMDB de Fogaça sai abalado, ao ser relacionado com um sistema de financiamento com habitat no Banrisul. Fogaça sai abalado, ao ser identificado com um tipo de governo que loteia cargos, sem critérios ou condições, para garantir maioria no parlamento.
Manuela tem um problemão. Seu candidato a vice é do PPS, mesmo partido que declarou esperar de Manuela uma posição acrítica em relação ao governo Yeda. Partido que tem compromissos com a forma de governar que levou a esta crise do governo Yeda, e que é igual a montada para sustentar o governo Fogaça. Seu problema, na ponta mais simples: Como apresentar-se como o novo, aliada a um partido que sustenta o velho e tradicional jogo de divisão fisiológica dos cargos no governo?
Onyx (DEM) aliou-se ao PP, que até hoje ao menos, comporá a sua chapa indicando o vice. Mesmo PP que está no centro das denuncias do esquema DETRAN. Será coerente como Feijó, vice governador pelo DEM, quer apresentar-se e romperá com o PP?
O PT, acusado na eleição de 2004 de se tornar repetitivo, burocrático e pouco criativo para resolver os problemas da cidade, parece ter grandes condições de apresentar justamente o seu passado em Porto Alegre como grande trunfo. Durante 16 anos foi minoria na câmara e mesmo assim conseguiu governar sem apelar para a fórmula da divisão fisiológica e sem critério do governo. Além disso, apresenta-se a cidade com chapa pura, sem nenhum dos partidos envolvidos no escandalo do governo Yeda. Nisto, aliás, residia outra crítica, fonte poderosa do anti-petismo: o PT gaúcho, segundo os anti-petistas, achando-se superior não aceitava aliar-se a outros partidos no Estado (PMDB, PP, PPS, PTB, etc.). Parece que aqui, também, o que parecia demérito passou a ser virtude.
Cena dos próximos capítulos: irá Fogaça ser candidato, irá Manuela continuar aliada ao PPS, Onix continuará casado com o PP?
A crise do governo Yeda. Há outro jeito de governar?
Durante 16 anos o PT foi minoritário na câmara de veradores de Porto Alegre. Não inundou seu governo de partidos, pequenos ou grandes, para reverter esta situação. E aprovou boa parte de suas propostas. Como?
Governando de outro jeito, convidando a população a se organizar, definindo junto com ela o que fazer, o que priorizar. A mesma população que elege veradores e deputados se encarregou de fazer seus eleitos agirem corretamente. Simples assim...
Há outro jeito, sim.
Governando de outro jeito, convidando a população a se organizar, definindo junto com ela o que fazer, o que priorizar. A mesma população que elege veradores e deputados se encarregou de fazer seus eleitos agirem corretamente. Simples assim...
Há outro jeito, sim.
Assinar:
Postagens (Atom)
